quinta-feira, 27 de outubro de 2011

É isso ai pessoas - raras pessoas - que sabem da existência desse blog e visitam vez por outra, estou de volta! Sob nova direção de mim mesma, vou postar sempre por aqui alguns devaneios, impressões... palavras ordenadas e pretensiosas que tentam ser texto, poema e prosa ! =)

Inté...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A bela constatação do novo

A vida é repleta de novas oportunidades.Sempre aparecerão num inconstante, porém inesgotável, ciclo! Na rotatividade da vida sempre haverá novos tempos, novos olhares,novos amores, novos começos. O sabor do que ainda está por vir sempre será sentido, ora mais claramente, ora obscurecido pelos ácidos das desilusões...contudo, sempre haverá. Será sempre uma dádiva , toda nova e interessante oportunidade que surge. A chance de sentir e viver de forma diversa, profusa e de novo é excepcionalmente animadora. A leveza do sentir algo que não é novo , porém por algo novo, é fabuloso. Nada é mais instigante e motivador do que a possibilidade do novo...da nova oportunidade...do novo começo...do novo tempo. E viva o que ainda não é, mas será o inesperado e gratificante novo!

sábado, 30 de julho de 2011

A alma, a palavra e o algodão doce

Tinha os cabelos grisalhos, olhos negros, era alto, esguio, e conservava ainda certo charme. Andava lentamente,mãos no bolso, observando cada umbral das fachadas antigas da Rua da Aurora. Depois atravessou a rua ,sentou-se em um dos bancos que ladeiam os rios que cortam a cidade, emoldurados por calçadões. Sentou-se e parecia envolvido por uma sinfonia, tão absorto estava em suas contemplações. Observava agora  os poucos transeuntes, e os raros automóveis, que passavam pela avenida naquela dominical manhã recifense. Depois de alguns instantes, retirou do bolso uma caderneta e um lápis grafite – pois é, ainda existem os que usam a preciosa dupla papel e lápis em plena era do Ipod, Iphone, e tantos outros “ais”. Retirou-os do bolso mas não escreveu nada por um bom tempo, continuava na sua observação, como que procurando algo, e o que procurava? Certamente, aquilo que busca, e encontra, a alma do poeta: o belo... a essência bela que ele crê que haja em tudo ,o que há de belo aprisionado em toda e qualquer circunstância, esperando para ser liberto pelas palavras dele... liberta o belo contido até no fato de que “havia uma pedra no meio do caminho.” E o nosso poeta continuava, como um pescador, à postos, alfarrábio na mão, aguardando uma idéia ser fisgada, ou antes fisgá-lo.
Atravessava a rua uma mulher negra, de uns 25 anos, segurando a mão de uma menina, de uns 3 anos, ambas com roupas simples, cabelos crespos, e trançados. O poeta então foi capturado por esta cena, e acompanhava-a atentamente. Um homem vendia algodão doce parado no inicio de uma ponte próxima, a criança olhou para o homem e volveu um olhar “pidão” para a mãe que, entendendo a mensagem silenciosa da pequenina, chamou o vendedor e comprou um daqueles saquinhos inflados, recheado com o róseo algodão doce. A criança abriu rapidamente o saquinho, e parecia provar um manjar turco, tamanha a sua satisfação ao sentir o solver do doce na sua língua. O doce do algodão doce era a sensação que a alma da pequenina precisava naquele momento, e aquela cena era o que a alma do poeta buscava. O poeta sorri, a criança sorri...sorriem não um para o outro, mas ambos para si mesmos,para suas almas momentaneamente saciadas. A mãe e a criança ficam na parada do ônibus, esperam alguns instantes, e a criança mergulhada no seu doce é então conduzida pela mãe para entrar no ônibus que pára, e o poeta absorvido pelo seu dom brinca com as palavras, constrói  com elas a poesia da cena, e nem percebe quando a mãe, a menina e o algodão doce se vão. Ele fica a libertar o belo, e a alimentar a alma com o doce encanto das palavras. Outro ônibus passa, não pára. O poeta continua.

Rebecka Rabêlo,
Recife, 28/03/2011.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

...


Há  na dor certo encanto
Certo entorpecimento no sangrar
Há o calar a plenos pulmões, o grito
Há no horizonte  cegueira

Há o peso insuportável  do etéreo
O tilintar surdo de mortas sensações
O pulsar inerte de rotas esperanças
Há a fatigante e ilusória espera do porvir

Há o alienante aguardo do pleno agora
Há o ritmo que marca a existência
O tic-tac sem sentido do relógio
O maestro excêntrico do Tempo
 
E houve, há e haverá o que já não sou
Sendo na inconstância e incompletude
O que O Incognoscível me permite ser
...

(Texto: Rebecka Rabêlo)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Furto...


O olhar rápido denunciava o espírito perspicaz
Era ladrão por paixão
Paixão pela aventura e pela iminente desventura
Ladrão de paixões , de olhares, de encantos
O fascínio do controvertido andante
O charme do incerto, do futuro imprevisto
E tentava a todo custo executar o grande furto,
Roubar da vida um pouco da tão perseguida felicidade
Tentou de mil modos consegui-la, de mil jardins roubá-la
Imaginou tê-la quando roubasse os olhares
Quando raptasse corações
Doce engano o seu
Na ânsia de furtá-la acabou por ferir os pés
Marcou as mãos, arranhou a face
Foi então que já velho em um ultimo furto conseguiu um espelho d’alma
E ao enxergar-se através deste espelho percebeu que a gema que perseguia
Sempre estivera ali mesmo num velho pingente que trazia consigo
Pendurado numa delicada corrente, a corrente do encanto de viver!

Texto:Rebecka Rabêlo

terça-feira, 22 de junho de 2010

Paradoxando

No olhar distante a proximidade
No sorriso aberto a lágrima furtiva
Na dança lépida o passo trôpego...

Na multidão de palavras o silêncio d’alma
No desencontro o maior dos abraços
No enxergar claramente a profunda cegueira...

Na amargura a doce tristeza
No murmúrio abafado o grito lancinante
No pulso vibrante a morbidez do existir...

Nos maiores paradoxos as grandes respostas...



Texto: Rebecka Rabêlo

terça-feira, 18 de maio de 2010

Pontes...




Pontes pra nenhum lugar
Pra algum lugar
Pra qualquer lugar...

Pontes pra ir
Pra vir
Pra chegar
Pra fugir...

Pontes de pedras
De aço
De concreto
De sorrisos
De olhares...

E na Ponte a gente vai
De lugar nenhum pra lugar algum
Pra todos os lugares
E pra nenhum dos lugares...

Ou simplesmente a gente fica lá na Ponte
A contemplar a ponta da Ponte...

A Ponte pro Existir
No ato do Pensar.


Texto: Rebecka Rabêlo
Imagem: Matheus Souza

Maio de 2010.