quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

...


Há  na dor certo encanto
Certo entorpecimento no sangrar
Há o calar a plenos pulmões, o grito
Há no horizonte  cegueira

Há o peso insuportável  do etéreo
O tilintar surdo de mortas sensações
O pulsar inerte de rotas esperanças
Há a fatigante e ilusória espera do porvir

Há o alienante aguardo do pleno agora
Há o ritmo que marca a existência
O tic-tac sem sentido do relógio
O maestro excêntrico do Tempo
 
E houve, há e haverá o que já não sou
Sendo na inconstância e incompletude
O que O Incognoscível me permite ser
...

(Texto: Rebecka Rabêlo)

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